Uma flor
Uma pequena flor,
Eu colhi
Estava a pensar em ti
(...)
Entre Aspas, "Edelweiss", 1997
(...)
Entre Aspas, "Edelweiss", 1997
Uma flor... Uma flor oferecida... Uma flor para a enamorada...
Um original prato de faiança coimbrã, provável produção de Brioso - precursora da Faiança Ratinha-, demonstrativo da ingénua fantasia do oleiro que o executou. Ornamentação sui generis, com um par amoroso, em que o homem oferece uma flor, num gesto enamorado, em que transparece a sua afeição pela formosa (?) dama.
O par, trajando à moda de finais do século XVIII, ele de calção, meia branca e casaco cintado, ela de saia e sobressaia, com anquinhas e um decote muito pronunciado e malicioso, mostra uma certa incongruência nas formas. A mulher, mais alta, ocupa metade do covo, estendendo-se para a aba. Podemos pressupor que deve ter sido delineada em primeiro lugar, pelo espaço mais reduzido que o seu par ocupa. A fim de obstar à sua menor estatura, o pintor teve que altear a base onde ambos assentam, a fim de que as suas faces ficassem ao mesmo nível visual. É interessante o facto de os corpos se encontrarem de frente para os espectadores, mas as caras se apresentarem de perfil. Numa composição bicromática, unicamente nos tons azul cobalto e manganés, conseguiu-se uma decoração rica de pormenores, mas ingénua nos seus traços gerais. Uma ornamentação formada por pequenas cartelas, cheias com filamentos cruzados, enriquece a aba.
O par, trajando à moda de finais do século XVIII, ele de calção, meia branca e casaco cintado, ela de saia e sobressaia, com anquinhas e um decote muito pronunciado e malicioso, mostra uma certa incongruência nas formas. A mulher, mais alta, ocupa metade do covo, estendendo-se para a aba. Podemos pressupor que deve ter sido delineada em primeiro lugar, pelo espaço mais reduzido que o seu par ocupa. A fim de obstar à sua menor estatura, o pintor teve que altear a base onde ambos assentam, a fim de que as suas faces ficassem ao mesmo nível visual. É interessante o facto de os corpos se encontrarem de frente para os espectadores, mas as caras se apresentarem de perfil. Numa composição bicromática, unicamente nos tons azul cobalto e manganés, conseguiu-se uma decoração rica de pormenores, mas ingénua nos seus traços gerais. Uma ornamentação formada por pequenas cartelas, cheias com filamentos cruzados, enriquece a aba.
A designação "Brioso" provém de um ceramista oleiro de Coimbra, António da Costa Brioso, identificado nos finais do século XIX, por António Augusto Gonçalves. A produção de Coimbra, de finais do século XVIII, de melhor qualidade era, genericamente, atribuída a Vandelli. Porém, no momento em que se descobriu uma pequena travessa, datada e assinada "Brioso, 1779", as dúvidas desfizeram-se: a manufactura de Brioso antecedia, em cinco anos, a fundação da fábrica de Vandelli.
Ironizando - e contribuindo, também, para dilucidar a situação Brioso/Vandelli -, é de evocar o seguinte trecho, escrito por uma das freiras mais novas do Mosteiro de Lorvão, D. Inês Benedita, aquando de um infeliz acidente, em que um bule, tido em grande estima pela sua possuidora, se quebrou: "Não foi, senhora, no distante clima da China, ordinária pátria dos bules, que nasceu o meu herói; Coimbra, esta lusa Athenas de Portugal, lhe serviu de berço, e para que nascesse logo com avultados brios, contam os historiadores que foi Brioso o seu augusto projenitor. Brioso, este homem, que despresou a aliança com a illma. fabrica de Vandelli, que o pretendeu para consorte, e só achou a exma sra D. Olaria digna esposa a seus altos merecimentos, sendo inumeravel a descendência que deu a todo o reino e fora d'ele. Foi sempre o ellmo sr. D. Bule de Barros (de quem choramos hoje a perda), o filho mais dilecto do seu coração, vendo-se desde a infância tão melindroso como vidrento e fazendo biquinho a tudo quanto via. Ele receia embarca-lo para a América ou expô-lo nas lojas à censura do publico"1.
1 - Charles Lepierre "Ceramica Portuguesa Moderna", Lisboa, 1899, págs: 235 e 236.
Alexandre Pais, António Pacheco, João Coroado "Cerâmica de Coimbra", Edições Inapa, 2007"Estudo sobre o Estado Actual da Industria Cerâmica", Lisboa, Imprensa Nacional, 1905.











































