Num sábado de Abril, manhã cedo, mas já com o movimento de uma cidade muito apreciada pelos turistas, descemos a Rua Augusta, numa cumplicidade de avó e neta, dispostas a viver um programa dedicado às jovens. Como pano de fundo o arco da Rua Augusta e a estátua equestre de D. José. A Catarina em pose . O objectivo era passear sem rumo, em passos (in)definidos, que nos levassem a nenhum lugar em especial. Mas, quase por um não acaso fomos ter à ...
onde um letreiro nos chamou a atenção: "Rainha Dona Amélia". O que fazia o nome da última rainha de Portugal num lugar, tão afastado do seu tempo. Intrigadas pela curiosidade, entrámos e ...
uma bela imagem nos marcou de imediato: a figura da rainha D. Amélia sobressaía numa das paredes do fundo. Se era uma confeitaria, alguma relação teria que haver com bolos. Gulosamente curiosas, com uma ideia a tomar forma, entrámos e ...
lá estavam, uniformemente dispostas, as Donas Amélias! O nosso apurado paladar saboreou, em antecipação, as iguarias expostas.
Depois de instaladas, conhecemos a história destas deliciosas queijadas. São vendidas na Pastelaria "O Forno", que se situa em Angra do Heroísmo, Ilha Terceira. Conta a tradição que "certo dia, D. Amélia, a Rainha, veio à ilha. As gentes da Terceira ofertaram-lhe os bolos melhores da rondura do seu horizonte. E em honra da rainha se chamam agora, Donas Amélias"1.
No ano de 1901, o casal régio deslocou-se em visita oficial aos arquipélagos da Madeira e Açores. Nos dias 2,3 e 4 de Julho do referido ano, visitaram a ilha Terceira. Terá sido num dos vários eventos do apertado programa a cumprir, que as diligentes Senhoras terceirenses terão apresentado as queijadas que, por terem sido elogiadas pela Rainha, dela receberam o nome. Em boa hora as provámos, pois são deliciosas.
Programa seguido pela família real na ilha Terceira. Para as diversas cerimónias vêm indicados os tipos de traje a usar. Curiosos são os pormenores detalhados, com a letra da rainha D.Amélia, para as diferentes toiletes a vestir de acordo com as diversas ocasiões. São mencionadas, também, as casas de modas ou as modistas que podiam ser "Fornecedoras da Casa Real", título muito cobiçado pelos proprietários, que gostavam de os exibir nas tabuletas identificativas das suas lojas, bem como nos cabeçalhos das facturas.
Dali partidas, rumámos ao Terreiro do Paço. Atrevida, tirou uma selfie. Serve de recordação, argumentava ela, na sabedoria e irreverência dos seus onze anos. Por que será que as avós se deixam convencer?
A mesma elegância! A mesma delicadeza! A mesma postura! A diferença está no sorriso.
A maré baixa permitiu-nos procurar, por entre as conchas e seixos, pequenos fragmentos de faiança. Uma amostra dos que encontrámos...
Entre todos o mais precioso (?) pela textura, pelo esmalte, pelo colorido bicromático: azul cobalto e manganés. Um pequeno fragmento de uma possível peça malegueira (?), de arestas bem arredondadas, pelo roçar nas areias resultante do movimento das marés.
Como mera hipótese, mostra-se um pequeno exemplar de faiança malegueira, cujos tons se aproximam dos exibidos pelo pequeno fragmento.
1 - Folheto publicitário "Bolos D. Amélia" da Pastelaria "O Forno".






































