Num impeto de "fada do lar", arrumando um armário, deparei com este belo peixe, já servido no prato, que considero atribuível a Fervença. Lembro-me de o ter adquirido no Alentejo, por uma razão muito simples e sentimental - desde sempre, em casa dos meus Pais, expostos numa das paredes da sala de jantar, existiram dois pratos que penso, hoje, com alguma segurança, serem de produção da Fábrica de Bandeira: um imponente galo e um prato de garfo e faca, cruzados, intercalando postas de peixe. Numa das suas viagens de serviço e porque os achou apelativos, meu Pai comprou-os em Borba. Acompanhava-o um colega de serviço, coleccionador experiente que, por graça, o aconselhou a iniciar a sua própria colecção - que se resumiu unicamente a esses ditos pratos. Um dia destes apresento-os ao vosso conhecimento.
Manuel Nunes da Cunha fundou a fábrica no ano de 1824, no lugar de Fervença, em Gaia, junto à cerca do Convento da Serra do Pilar. Seu filho, e continuador na direcção da empresa, Joaquim Nunes da Cunha, viu-se obrigado, mercê da abertura dos novos acessos à Ponte Pênsil a desactivar esta unidade fabril e a proceder à sua transferência para as instalações da antiga Fábrica do Cavaco, que comprara ao seu proprietário, Barão de Sarmento. Em 1897, sucedeu-lhe seu filho, Luís Nunes da Cunha. Ignora-se a data de cessação de actividade.
A sua produção, de boa qualidade, caracteriza-se por apresentar uma pasta fina e leve com uma ornamentação onde sobressai uma forte policromia. Predominam as cores alegres e vivas, com destaque para os azuis, alaranjados e um verde muito próprio, com um tom mais claro e esbatido, diferente dos verdes de outras fábricas, principalmente Bandeira.
O peixe ( mea culpa, pois não sei classificá-lo) está ladeado por um talher, a que associo os humildes garfos de ferro frequentes nas casas mais simples do país e com os quais se espetavam os alimentos contidos no prato único, usado para a refeição comum. Entre a decoração do covo e a da cercadura deparam-se-nos conjuntos de quatro pontos, em losango, que rodeiam todo o esquema decorativo. Este mesmo elemento figura, também, num prato atribuído à produção de Fervença, propriedade do Museu de Etnografia e História do Porto e em depósito no Museu de Soares dos Reis, número de inventário 649 MEP, representando os Meninos Gordos.
A aba alegra a vista, nas suas cores vibrantes: azul, laranja e verde. Execução segura, em pinceladas largas e fortes, desenhadas à mão livre.
Dois pequenos apontamentos vegetalistas intercalam-se entre a aba e os talheres.
Para finalizar e parafraseando Fernando Pessa com a sua expressão tão particular "E esta, hem?", um pequeno prato que, pelas cores e decoração, poderá também ser imputado à produção de Fervença.
Qual é a vossa opinião?
A sua produção, de boa qualidade, caracteriza-se por apresentar uma pasta fina e leve com uma ornamentação onde sobressai uma forte policromia. Predominam as cores alegres e vivas, com destaque para os azuis, alaranjados e um verde muito próprio, com um tom mais claro e esbatido, diferente dos verdes de outras fábricas, principalmente Bandeira.
O peixe ( mea culpa, pois não sei classificá-lo) está ladeado por um talher, a que associo os humildes garfos de ferro frequentes nas casas mais simples do país e com os quais se espetavam os alimentos contidos no prato único, usado para a refeição comum. Entre a decoração do covo e a da cercadura deparam-se-nos conjuntos de quatro pontos, em losango, que rodeiam todo o esquema decorativo. Este mesmo elemento figura, também, num prato atribuído à produção de Fervença, propriedade do Museu de Etnografia e História do Porto e em depósito no Museu de Soares dos Reis, número de inventário 649 MEP, representando os Meninos Gordos.
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| MNSR 649 MEP |
Dois pequenos apontamentos vegetalistas intercalam-se entre a aba e os talheres.
Para finalizar e parafraseando Fernando Pessa com a sua expressão tão particular "E esta, hem?", um pequeno prato que, pelas cores e decoração, poderá também ser imputado à produção de Fervença.
Qual é a vossa opinião?





