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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Faiança com decoração de perdizes

Faiança alada. Gaia ou Coimbra (?)


A nossa produção cerâmica é muitíssimo rica, pela diversidade que nos oferece. Uma, de fabrico mais fino, destinada às camadas mais abastadas e conhecedoras, as quais, cientes do papel que desempenhavam na sociedade oitocentista, eram particularmente selectivas nas suas encomendas. Outra, de produção artesanal, de pasta mais fraca, mas que atrai pelo colorido e ingenuidade da decoração, destinada principalmente às camadas mais populares. É o caso das peças que se apresentam e que têm em comum a representação de pequenas aves, quer na cercadura, envolvendo um motivo decorativo principal, quer como ornamentação única na peça.


Estas peças, de uso quotidiano, usualmente conhecidas como "decoração de perdizes" e com um grau de anonimato implícito, não são de fácil  atribuição a uma determinada fábrica. Gaia ou Coimbra? Fica a incerteza.
Sabido é que, após as Invasões Francesas, principalmente a partir da década de trinta do século XIX, houve uma evolução no processo de fabrico, entrando-se numa fase de quase plena industrialização. As novas unidades, criadas em Lisboa, Coimbra e Gaia, demonstram essa nova tendência. Abandonam as práticas mais ancestrais, adaptando-se às novidades de produção, nomeadamente às modernas técnicas de estampagem.
Representativas de um gosto muito específico e singular, são hoje apreciadas  e procuradas, figurando em colecções particulares e museológicas.



Estas peças, de uso quotidiano, usualmente conhecidas como "decoração de perdizes" e com um grau de anonimato implícito, não são de fácil  atribuição a uma determinada fábrica. Gaia ou Coimbra? Fica a incerteza. do tema decorativo principal. Bastante bem conservada para o seu tempo de vida, encontrei um exemplar análogo no acervo do grande coleccionador que foi António Capucho.

António Capucho. Retrato do homem através da colecção, pág: 139



Pequeno prato de serviço, também com as armas reais, conquanto as flores apresentem uma cor mais forte, em tom de bordeaux. Estes pratos de serviço são mais usuais, pelo que existem em maior quantidade, apenas variando a cor das flores.






A representação das aves, quer como motivo central, quer servindo de suporte decorativo a outras decorações, desde sempre me fascinou. Como ornamentação principal, muito poucos exemplares a exibem. Encontrei, tão só, dois pratos grandes e quatro mais pequenos, de um serviço. Nos primeiros, porque a superfície é maior, vários pássaros esvoaçam pelo espaço disponível. Nos segundos, de menores dimensões, as aves, isoladas, voam, agrupadas num pequeno bando.






Colocados em conjunto com outras faianças, formam um conjunto harmonioso.





Associadas, aqui, a um motivo diferente, "as perdizes", acompanham um emplumado galo, altaneiro no seu porte.




Para finalizar, guardei duas outras imagens, gentilmente cedidas pela Maria Andrade, com a mesma decoração, mas em tipologias diferentes. A chávena faz parte do acervo do Museu de Alberto Sampaio e a jarra de altar pertence à sua colecção particular. O meu bem haja.





Imagem de um jarro pertencente ao acervo do Museu dos Biscainhos com a decoração das perdizes, envolvendo as Armas Reais. 

Luísa Arruda, Paulo Henriques, Alexandre Pais, João Pedro Monteiro,"António Capucho. Retrato do homem através da colecção", Civilização Editora, 2004.