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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Azulejos setecentistas na Igreja de Santo António do Estoril



Painel formado por azulejos de figura avulsa - flores - enquadrados numa cercadura com
elementos em flor-de-lis, rematando com azulejos marmoreados.

Igreja de Santo António do Estoril
Imagem retirada da internet





Numa tarde de Outono, daquelas a ameaçar chuva, passeando pela marginal do Estoril, entrei no adro que antecede a Igreja de Santo António do Estoril. Observando com um pouco mais de atenção os bancos e os muretes verifiquei, com espanto, que estavam revestidos com azulejos antigos, datados do século XVIII.
Recorrendo a uma expressão usada por Luís Montalvão, recorri aos serviços da "santa internet" onde
obtive elementos que permitem descrever a história e vicissitudes desta igreja.
A primitiva edificação foi construída em terrenos doados por Luís da Maia à Ordem de São Francisco. O traçado, simples, estava em consonância com a oração contemplativa dos frades que habitavam o pequeno convento. Na primeira metade do século XVIII, o seu interior foi enriquecido com azulejos.
O terramoto de 1755 abalou fortemente a sua estrutura culminando na derrocada da quase totalidade das suas paredes. Por acção de Frei Basílio de S. Boaventura a reconstrução iniciou-se quase de imediato, sabendo-se que, já no ano de 1758, a zona da capela-mor estava concluída. Aproveitando o facto de ser totalmente reconstruída, o projecto foi alterado, conferindo-lhe uma maior monumentalidade, chegando até nós com o aspecto que tem hoje.
No ano de 1927 sofreu um incêndio. O projecto foi entregue ao arquitecto Tertuliano Marques que, para além de manter o traçado original, salvou alguns dos azulejos setecentistas que podemps observar nos muretes e bancos que circundam o terreiro adjacente à entrada da igreja.




Este grupo que guarnece um dos  muretes mostra azulejos de figura avulsa, intercalando com peças de cercadura, sem uma preocupação mínima de os enquadrar enquanto grupo, como foi feito noutras partes do mesmo recinto. Foi uma atitude de louvar, numa época em que o velho era possidónio e de mau tom. Foram reaproveitados, embora aplicados de  forma aleatória.
A policromia e  riqueza dos movimentos atestam a sumptuosidade que caracterizou uma época, particularmente importante da nossa azulejaria, que pretendia mostrar, para além  da funcionalidade decorativa deste tipo de revestimento,  a sua  integração perfeita nas estruturas arquitectónica.





Num dos recantos, curiosa ornamentação que, embora não tendo conjugação decorativa a nível dos elementos representados nos dois painéis, mostra  preocupação em conseguir conjuntos harmoniosos.



Curiosa miscelânea de diversos exemplares de azulejos, incluindo um que, por representar uma mão, pode bem ser proveniente de um painel figurativo. Fica a dúvida.
Nas imagens seguintes, mais alguns exemplos de azulejaria de padrão, a qual, pela repetição contínua em grandes extensões, permite obter efeitos espectaculares. Perfeitamente integrados nas estruturas onde eram aplicados, obedeciam a três premissas importantes: baixo custo, higiene e durabilidade. 







Para terminar, um pequeno painel de azulejos pombalinos, que apoia as ideias anteriormente esplanadas. A repetição de um número variável de elementos permite composições de maior ou menor extensão, de acordo com os primitivos locais de destino. Modernamente, o gosto pelo antigo deixa que se formem estas "pinturas" que enaltecem, quer o anonimato dos seus criadores, quer a originalidade das suas criações.




"Azulejos de fachada em Lisboa", Lisboa revista municipal, nº3, 1º trimestre de 1983.





quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Algumas peças em Cantão Popular

Peças decoradas com o motivo Cantão Popular



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Uma pessoa de família reuniu uma bela colecção de peças com a decoração conhecida por Cantão Popular. Estas terrinas demonstram o seu bom gosto. Se bem que se assemelhem no motivo decorativo e na forma, apresentam algumas diferenças nas pastas e nos azuis, uns mais intensos, outros mais esbatidos. Feitas por e para pessoas simples, eram executadas em materiais mais grosseiros,  apresentando alguns defeitos, como o vidrado escorrido e a pintura algo apressada. O facto de terem chegado inteiras até aos nossos dias, demonstra a estima em que eram tidas e o cuidado no seu manuseio.
De conformidade com as palavras que o Luís Montalvão escreveu no seu post, de 9.10.2010, o motivo conhecido por Cantão Popular, mais não é que "a adaptação livre e ingénua da louça inglesa do Willow Pattern e foi fabricado em Portugal por várias oficinas, a maioria anónimas, desde o início do século XIX até aos anos 60 ou 70 do século XX. 
A partir do momento em que se estabeleceu o contacto com o longínquo Oriente e logo que as peças oriundas da China começaram a chegar aos mercados europeus, as chinoiseries (muitas delas simples interpretações, algumas bem fantasiosas) tornaram-se moda em muitos ramos das artes decorativas e a cerâmica também acompanhou a nova tendência. O motivo conhecido entre nós por Cantão Popular, inspirado na porcelana inglesa, foi popularizado por Thomas Minton, cerca de 1790 e passou a caracterizar a porcelana inglesa desse período, rivalizando, quer em qualidade, quer na economia do preço, com a sua congénere chinesa.



  




Este prato coberto encanta pelas suas dimensões reduzidas, aproximadamente 23 cm. Também se insere, tal como as peças anteriores, na classificação sugerida pelo Luís, como um exemplar da família da "árvore de fruto". A liberdade de inspiração dos anónimos artistas, fosse por dificuldades de representação, fosse pela superfície reduzida que tinham para decorar, levou a que não estejam presentes alguns dos elementos - arvores, figuras lendárias, pombas - que inicialmente individualizaram este padrão.




Para finalizar, uma pequena jarra e uma chávena, estas com a figuração do pinheiro. A partir de um esquema decorativo conhecido e  bem dominado, os artistas demonstram a sua capacidade criativa,  interpretando, a seu modo, os elementos que caracterizam o Cantão Popular. 






"Velharias do Luís"- Luís Montalvão
"Arte, Livros e Velharias" - Maria Andrade