quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Uma aventura e o o Museu do Cristo








 
Numa manhã de Outono, soalheira, mas já a chamar o frio, partimos da gare do Oriente a caminho do Porto.
Tínhamos como destino visitar o Museu do Cristo, instalado no edifício da Irmandade dos Clérigos. No Alfa (cujo estado das carruagens deixa muito a desejar) o tempo passou num ápice. Em conversa agradável e amena fomos dissertando sobre tudo e sobre nada, mas com uma cumplicidade que nasce do respeito e amizade profunda que se foi cimentando, ao longo de uma vida, que já vai um pouco longa.
O tema foram as colecções que este Senhor foi coligindo e desenvolvendo, com especial enfoque para peças que contivessem, em si representada, a figura de Cristo.
E ... de repente estávamos em Campanhã. Para um conhecedor e vivenciador do Porto, rumámos ao restaurante Aleixo. O almoço foi um dos afamados pratos desta casa - filetes de polvo com arroz de polvo. Tudo estava uma delícia.
 
 
Aproveitei e fui fotografando os prédios desta rua e de outras por onde, entretanto, fomos passando. Este aparte é para o Luís Montalvão. Fachadas de azulejo, cada qual mais bonita e interessante. Elementos de fachada em cerâmica - balaústres, pinhas, vasos e uma claraboia - que mereciam um estudo. Deixo uma imagem para deslumbrar e fazer nascer a vontade de ir até ao Porto e caminhar, de nariz no ar, para absorver bem a atmosfera romântica ( obviamente, refiro-me ao Romantismo), que, ao longo dos anos, foi vivida em terras portuenses.
 
 
 
 
Mas, o tema deste post é sobre o Museu do Cristo. Nasceu da vontade do seu doador. A colecção é composta por uma grande variedade de peças, cujo denominador comum é a imagem de Cristo.
Na fachada lateral do edifício fica a entrada do Museu. Recebe-nos um fragmento de Cristo, imagem recuada no tempo, de alta época, cujas linhas apontam para uma serenidade suprema.

 

 
 
É grande a variedade de imagens, pelo que se torna difícil a escolha. Para não tornar o texto muito  pesado, peço que se imaginem no museu e apreciem algumas das peças em exposição.
 
 
 
 
 
 
 


 
 

 O doador, Dr. António Miranda, quis, por sua vontade,  que todas estas belíssimas imagens pudessem ser fruídas por todos nós. É um convite para irem ao Porto, visitar uma cidade que, só a pouco e pouco, nos revela os seus segredos. Bem haja.
 
 
 
 


2 comentários:

  1. Ivete

    Sabe que à medida que os anos passam cada vez gosto mais do Porto. A última vez que lá estive, foi para ir ao funeral de uma prima e fui a pé desde o centro até a igreja, ali perto do Hospital de Santo António e fiquei maravilhado com os prédios do séc. XIX, a azulejaria, as claraboias e os elementos de decoração das platibandas. Aliás, o Porto conservou muito melhor a arquitectura do século XIX e inícios do XX que Lisboa. Na capital houve uma fúria modernista de demolição dos edifícios oitocentistas e de arquitectura eclética e que infelizmente prossegue nos dias de hoje.

    Tenho muita curiosidade em conhecer esse Museu do Cristo. Gostaria de perceber melhor o que diferencia um cristo crucificado do século XVII, de um do século XVIII ou mesmo do XIX. Tenho ideia que a iconografia e a representação do crucificado cristalizou logo no início do XVII, mas sei muito pouco sobre o assunto e gostaria de aprofundar o tema

    Um abraço e obrigado por esta partilha

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  2. Luís

    Tem razão quando diz que no Porto souberam conservar aquilo que representa o romantismo de oitocentos. É uma verdadeira felicidade ver como estão, ou em vias de estar, conservados os prédios com todos os elementos que nos encantam. Estou a desejar encontrar tempo e disponibilidade para passar dois ou três dias por terras nortenhas.
    E o Museu do Cristo vale uma visita.
    Um abraço

    if

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